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Bem-vindos ao primeiro Viewing Room da Verve! Apresentamos uma seleção de obras do artista Guilherme Callegari, acompanhadas de texto crítico desenvolvido pelo também artista e pesquisador Andrey Koens, que acompanha e estuda o trabalho de Callegari como parte de sua pesquisa de mestrado no Instituto de Artes Visuais da Unesp. Os Online Viewing Rooms surgem como alternativa ao fechamento dos espaços de arte durante a pandemia da COVID-19, que assolou o mundo em 2020. Neste contexto, a Arte e seu caráter transformador podem ser poderosas ferramentas de mobilização social.

 

Foi pensando neste aspecto que idealizamos o projeto de tal forma que 1/3 do valor de venda das obras deste Viewing Room seja integralmente doado ao Movimento Água no Feijãoação que reúne voluntários para distribuir marmitas a pessoas em situação de vulnerabilidade social na comunidade de Heliopolis, em São Paulo. De Maio a Setembro de 2020, a iniciativa já distribuiu mais de 25.000 marmitas, num total de 25.000 kg de comida preparada. O Movimento entra em sua terceira fase de atuação, agora com a capacitação de pessoas da comunidade, gerando oportunidades através do compartilhamento de experiências e a ativação de uma cozinha comunitária. O Movimento Água no Feijão foi idealizado pela chef Telma Shiraishi, para levar alimento e cuidado às pessoas que mais precisam. Sua esperança é que essa receita de solidariedade possa ser replicada e amplificada, possibilitando tempos melhores para todos.

Bentl-4shw, 2020
Giz oleoso, marcador, caneta hidrográfica, caneta esferográfica e grafite sobre papel 300g
42 x 27 cm

R$ 2.700,00

Os trabalhos em papel de Guilherme Callegari começam a conversa dizendo o que não são: nem pinturas, nem desenhos; nem figuração, nem abstração. Os materiais secos e oleosos em bastão e as canetas que o artista utiliza para compor suas formas sobrepostas constróem uma espécie de dialeto, sem conferir precisão às figuras nem constituir um statement abstrato.

 

Ao passar por uma miríade de referências que variam amplamente entre o design gráfico, o imaginário coletivo da publicidade outdoor e cultura automobilística, ou ainda entre a pintura de paisagem e o grid gráfico, o artista se encontra em uma constante dialética de influências variadas, que se entrecruzam em suas diferentes obras. A escolha, combinação e reconfiguração dos elementos é o arcabouço da oeuvre de Callegari, aludindo a um tipo de teatro ou poesia concretista, onde “o que importa é abandonar a mastigação do novo, novo, novo” e, em vez disso “roer o osso dos motivos, deixar que se repitam, que ritmos se criem”,  conforme nos ensina Öyvind Fahlström .

A abordagem concreta fica mais evidente na titulação dos trabalhos, com nomes confusos que subvertem a visualidade das próprias pinturas, como um convite a outras descobertas: a primeira no olhar; a segunda no nome, que varia entre os que representam ideias poéticas que não estão na obra, shifters - seres linguísticos que não possuem um sentido - ou mesmo derivações do processo de naming , prática do marketing dedicada à criação de nomes para identidades empresariais.

Dois Lugares, 2019
Caneta hidrográfica, giz oleoso, lápis de cor, caneta esferográfica e grafite sobre papel
59 x 42 cm

R$ 3.600,00

O balé dos logotipos deliberadamente rabiscados reforça a máxima de Don Norman: “o bom design é mais difícil de perceber do que um design mal feito”. No contexto do design gráfico para grandes empresas no período que precede a sua digitalização, essa invisibilidade do bom design poderia ser pensada através do desenho. Ali, o maior feito profissional seria a perfeição da limpeza sublime, que faria surgir o valor transcendental da Marca, a ausência de individualidade.

Essa ausência do criador é a chave do sucesso de campanhas históricas da Volkswagen, Shell, Cadillac e outras, pois seus materiais gráficos não representam nem o designer que os produziu, nem o público alvo, mas sim a persona da qual quem compra o carro supostamente se aproximaria. Daí as máscaras de pintura, grids, retículas, o Letraset; uma espécie de “guias de impessoalidade”.

Em função disto a digitalização do design tratou sobretudo do modo de produção da imagem, e criou novas ferramentas que passaram a impedir a aparição de traços manuais, a sujeira e os acidentes do desenho. Guilherme, cuja educação em design data da pós digitalização, reflete sobre passado e presente em sua obra, como em Eletrônico (2020), um diálogo que alude aos limiares da expressão no tecido digital e o próprio existir do profissional do design.

 

2586/arrows/Symbols, 2020
Grafite e Caneta Esferográfica sobre papel 
65 x 60 cm

R$ 4.500,00

Transfer, 2020
Grafite, carvão, giz oleoso, lápis de cor, caneta esferográfica, caneta hidrográfica e marcador sobre papel
110 x 75 cm

R$ 6.000,00

Japão, 2020
Caneta hidrográfica, caneta esferográfica, grafite, marcador e inkjet sobre papel
30 x 42 cm [Díptico]

R$ 3.600,00

Essas reflexões acontecem na transposição entre os dois lugares distintos de sua prática: a produção da imagem gráfica digital e sua reprodução física na pintura a partir do aparato técnico. Apoiado por uma bibliografia e repertório de artistas que trabalham os meios da tecnologia gráfica na mídia pictórica, expande a proporção de referências como as retículas até o ponto do esgarçamento, ato visível no arco Transfer, 15han e KIA, de 2020; ou no seu uso repetido de logotipos, que se inclina cada vez mais ao Letrismo.

A desconstrução na expressão de Callegari parece ser uma reivindicação da pessoalidade a partir de seu arquipélago de vivências exteriores, que reinventa a prática do design e também do eixo pintura-tecnologia; contextos cujas teorias passam obrigatoriamente pela literatura e sensibilidade estrangeiras. Ao reforçar a capacidade do discurso estético contemporâneo em promover diálogos poéticos por meio de dicotomias que mapeiem, sem querer, os gradientes que existem entre locais, sua obra nos convida a pensar sobre uma realidade pessoal, nacional.

Andrey Koens

Artista e Pesquisador

Flash, 2020
Acrílica, caneta esferográfica, caneta hidrográfica, giz oleoso, bastão oleoso e lápis de cor sobre papel
100 x 70 cm

R$ 5.400,00

15han, 2020
Pigmento serigráfico, lápis de cor, caneta hidrográfica, giz pastel, caneta esferográfica carvão e grafite sobre papel
101 x 72 cm

R$ 5.400,00

Áustria, 2020
Giz oleoso, caneta esferográfica, grafite, marcador, lápis de cor e carvão sobre papel vegetal, papel canson e papel milimetrado
59 x 126 cm [Tríptico]

R$ 6.000,00

Mofse, 2020
Caneta hidrográfica, carbono, giz oleoso e caneta esferográfica sobre papel 300g
30 x 21 cm

R$ 1.200,00

KIA, 2020
Giz oleoso, lápis de cor, grafite e caneta hidrográfica sobre

papel 300g
30 x 21 cm

R$ 1.200,00

Eletrônico, 2020
Giz oleoso, caneta esferográfica, caneta hidrográfica e lápis de cor sobre papel 300g
30 x 21 cm

R$ 1.200,00

1618, 2020

Acrílica, giz oleoso, bastão oleoso, carvão, grafite, caneta permanente, lápis de cor e caneta

esferográfica sobre tela

190 x 150 cm

R$ 18.000,00

Blocado, 2020
Giz oleoso, acrílica, lápis de cor, grafite, caneta hidrográfica, e caneta esferográfica sobre papel
120 x 80 cm

R$ 6.000,00

P9q6, 2020
Giz oleoso, caneta esferográfica, lápis de cor, caneta hidrográfica, grafite e marcador sobre papel.
42 x 27 cm

R$ 2.700,00

Editor de Padrões, 2020
Acrilica, giz oleoso, lápis de cor, grafite, caneta hidrográfica sobre papel
100 x 70 cm

R$ 5.400,00

Maybach, 2020
Giz oleoso, caneta esferográfica, grafite, marcador e impressão inkjet sobre papel

60 x 63 cm

R$ 4.800,00

LRDF90110, 2020
Lápis de cor, giz oleoso, caneta esferográfica, caneta hidrográfica, grafite, marcador, acrílica e inkjet sobre papel
105 x 59 cm [Políptico]

R$ 5.400,00

Guilherme Callegari

Guilherme Callegari nasceu em 1986 em Santo André, onde vive e trabalha. Graduou-se em Design Gráfico com ênfase em tipografia em 2011. Sua obra lida com temas do Design Gráfico/Comunicação e da pintura. Depois de sua formação, o artista se deixa contaminar por suas pesquisas em Design Gráfico na faculdade e passa a assumir essa temática como objeto de pesquisa de sua pintura. Callegari já ganhou prêmios em salões de Praia Grande e Santo André, participou de exposições coletivas na BARÓ Galeria, Zipper Galeria, e apresentou exposições individuais na Casanova Arte e Cultura e na Verve Galeria. Seus trabalhos integram importamntes coleções privadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Peru e Holanda e recentemente seu trabalho passou a integrar a coleção do Museu de Arte do Rio [MAR], por meio da indicação do crítico Paulo Herkenhoff no stand da Verve Galeria durante a SP-Arte 2019. Em 2019, Guilherme Callegari participou como artista convidado do 47º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto, com uma seção especial dedicada a seu trabalho.

Movimento Água no Feijão

A chef Telma Shiraishi, em parceria com a JCI Brasil Japão, Abeuni, ABJICA, Comissão de Jovens do Bunkyo, Aliança Cultural Brasil -Japão, KIF Brasil e Asebex, estabeleceu o Movimento Água no Feijão, que atualmente conta com mais de 60 voluntários, com o objetivo de beneficiar pessoas que estão lutando diariamente contra a FOME. Buscamos também auxiliar toda a cadeia de produção das marmitas, mantendo o pagamento de cozinheiros, ajudantes, transportadores e pequenos fornecedores.​ Telma Shiraishi - Chef do restaurante Aizomê, Embaixadora para Difusão da Culinária Japonesa.
 

Nesses tempos difíceis, a desigualdade social e o desamparo despertaram a urgência por ação e providências. Assim nasceu o Movimento Água no Feijão, idealizado pela chef para levar alimento e cuidado às pessoas que mais precisam. Sua esperança é que essa receita de solidariedade possa ser replicada e amplificada, possibilitando tempos melhores para todos.

Verve Galeria

Nascida do entusiasmo e inspiração que animam o espírito da criação artística, a Verve é abrigo para diferentes plataformas de experimentação da arte contemporânea. A eloquência e a sutileza estão na raiz do termo Verve, assim como na cuidadosa seleção de artistas e projetos expositivos. Por entender que as linguagens artísticas compreendem processos contínuos e complementares, a galeria representa novos talentos e profissionais consagrados que transitam livremente entre a pintura, o desenho, fotografia, escultura e a gravura.

Dirigida pelo artista visual Allann Seabra e o arquiteto Ian Duarte Lucas, a galeria ocupa uma casa centenária, em franco diálogo com o patrimônio construído da cidade de São Paulo. Na diversidade de seus espaços expositivos emergem possibilidades de curadoria que vão além do formato do cubo branco, estendendo-se para a rua e cumprindo a função integradora entre a arte, o público e a cidade. 

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