Nesta vitrine, Desali articula o desenho urbano impessoal do centro paulistano a uma paisagem afetiva ligada à periferia de Contagem e ao interior de Minas Gerais, referências centrais em sua formação visual. A partir das padronagens do Edifício Louvre e de resíduos plásticos e caixotes de madeira recolhidos em suas caminhadas, estabelece relações entre materiais, escalas e origens distintas, articulando seu trabalho à própria biografia, à estrutura e ao território. Em diálogo com a luta diária que identifica em Marighella, nomeia, nos títulos de suas obras, objetos e personagens do ambiente doméstico, do ateliê e da experiência comunitária – como “Tábua de carne”, “Colher de pau” e “Pregador”, atribuindo a eles uma dimensão política cotidiana.