Na instalação “vem, vira vai, voo”, Selva de Carvalho investiga diferentes possibilidades de constituição do corpo a partir de uma mesma combinação de elementos e do deslocamento de suas funções e sentidos formais, simbólicos e espaciais.
Diferentes corpos têm sua origem nos mesmos materiais: os cabides de madeira e tecido. Suspensos, eles sugerem organismos, entidades ou vestígios de algo que está continuamente se transformando. O movimento se constrói também no plano de fundo: os chassis se comportam ora como poço, ora como portal. As sombras desenhadas como uma espécie de carimbo, deslocam ao mesmo tempo em que duplicam esses seres. As pedras e as penas introduzem outras temporalidades e qualidades simbólicas a cada um deles. O título propõe um percurso entre aproximação, metamorfose, desprendimento e voo, cada palavra nomeia um organismo e orienta o seu sentido e presença. O “voo”, diferente dos demais, apresenta-se como uma máscara que convoca o espectador a experimentar, ainda que por instantes, outro corpo. O conjunto sugere uma existência em trânsito, na qual corpo, sombra e matéria se reorganizam continuamente entre o peso e a suspensão, o interior e o exterior, o que chega, o que fica, o que parte, o que voa