As pinturas de Alexandre Wagner são permeadas por uma intensa sensação de desorientação – espaços que se dissolvem sob o olhar, como se extraídos de um sonho, de uma memória ou de um lugar imaginado.
Essas imagens são envoltas por uma névoa de ambiguidade. As formas oscilam, surgindo e desaparecendo de maneiras que evocam florestas, pedras, água e céu, sem jamais se consolidarem plenamente em representações reconhecíveis. Como descreve o artista, a “possibilidade de uma coisa deixar de ser aquilo que imediatamente parece ser” é uma característica definidora de seu processo. Ele continua: “Quando isso acontece, sinto que o trabalho continua a se desdobrar, permanece ativo e segue produzindo sentidos, justamente porque não pode ser nomeado de maneira definitiva. Se um acúmulo de gestos se assemelha à folhagem de uma floresta, a pintura nos lembra que, antes de qualquer coisa, aquilo é tinta – marcas sobre uma superfície.”
Suas obras convidam o espectador a se deter na superfície da tela e a observar a construção metódica, quase obsessiva, de cada composição, formada por pequenos gestos enérgicos. Por meio de sucessivas camadas de tinta altamente diluída, as pinceladas de Wagner parecem subtrair, em vez de aplicar, pigmento. Cada marca raspa, escava e revela a luminosidade do branco original da tela que permanece por baixo.
Essa sensação de escavação, inerente à prática de Wagner, também implica uma sempre presente possibilidade de dissolução. Em algumas obras, uma forma circular no centro da composição atua como um núcleo magnético, atraindo o olhar do espectador para o interior da imagem, enquanto os elementos ao redor parecem ondular e se dissolver. A impressão de uma floresta densa é construída por meio de gestos laterais ondulantes, fragmentados em centenas de pinceladas que sugerem uma arquitetura fictícia, distanciada de qualquer representação literal da paisagem.
O movimento rítmico se sobrepõe a qualquer referência direta à natureza, aos reflexos ou à vegetação; é como se o artista tentasse representar a sensação do vento atravessando a cena.As pinturas de Wagner resistem a uma interpretação definitiva. Funcionam como espaços psicológicos e perceptivos nos quais o espectador pode mergulhar. Evocam paisagens sem jamais se tornarem plenamente paisagens, permanecendo suspensas em um espaço de tensão entre figuração e abstração. No vocabulário visual de Wagner, a clareza torna-se uma limitação, e a ambiguidade, uma linguagem geradora de sentidos – que não diz respeito àquilo que se vê, mas à experiência de ver, recordar e imaginar.